Entrevista do Pr. Wellington Junior à Revista Seara News

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Entrevista do Pr. Wellington Junior à Revista Seara News

 

 

 

 

 

 

 

Vida pessoal, família, ministério, CPAD e CGADB foram assuntos abordados na entrevista

Por Paulo Pontes

Tendo em vista um ato do o pastor Álvaro Oliveira Lima, presidente da Convenção de Ministros das Assembleias de Deus no Estado do Espírito Santo (CEMADES), por ocasião da 72ª AGO, em 2014, onde lançou em plenário o nome do pastor Wellington Junior para concorrer como candidato à presidência da CGADB (confira aqui), e em seguida a União dos Ministros das Assembleias de Deus nos Estados do Nordeste (UMADENE), então liderada pelo saudoso pastor José Antônio dos Santos, que com a mesma iniciativa contou com a aprovação dos presidentes de convenções da região, e apoiada por centenas de convencionais reunidos em Teresina-PI, a Revista Seara News entrevistou o pastor Wellington Junior, em São Paulo, falou sobre vida pessoal, chamada para o ministério, família, ascensão à presidência do Conselho Administrativo da CPAD, os projetos da Casa, a denominação e por último sobre a indicação do seu nome como candidato à presidência da CGADB.

A entrevista foi publicada na Revista Seara News, edição de março de 2015. Confira a íntegra!




Seara News – Como foi sua vida até chegar ao ministério pastoral?

Pr. Wellington Junior – Na verdade, sou da geração onde os filhos de obreiros eram muito cobrados, por isso, nunca tive um desejo pela vida ministerial, principalmente porque na minha adolescência, quando eu tinha entre 15 e 16 anos de idade, passamos por uma situação muito difícil no ministério, e nós, filhos, entendemos que naquele momento meu pai foi muito injustiçado na época. Aquilo nos trouxe alguns traumas com relação a isso, e eu nunca me interessei pela vida ministerial, mas Deus me guardou. Nunca me desviei da igreja, nunca saí da igreja, sempre servi ao Senhor, e me envolvi muito no meu trabalho. Deus me abençoou muito, comecei a vida trabalhando com o meu pai, na feira; fui feirante alguns anos, na minha adolescência enfrentando a madrugada, por isso não tenho medo de acordar de madrugada, qualquer hora que tiver de acordar eu me levanto. Nosso horário de acordar era 4, quatro e meia da manhã, e ia para a feira com chuva ou sem chuva. Foi o começo da minha vida profissional. Mas, depois, Deus abriu uma porta e consegui fazer um curso e entrei na área da computação, na época não se falava informática.

Deus me deu uma oportunidade, trabalhei em empresas e enfim, terminei trabalhando na minha profissão – Analista de Sistemas, e numa empresa multinacional. Estava bem estabilizado, mas não deixava de ir à igreja, é claro, servindo na igreja sempre com o desejo de servir. E quando penso que não, já estava sendo separado para o ministério eclesiástico.

Deus me fez superar aqueles traumas, e na verdade quando fui separado, primeiro para presbítero da igreja e depois para ministro, ainda eu não tinha uma visão de ministério, em viver do ministério. Na ocasião eu trabalhava fora, e dirigia uma congregação. Trabalhava como analista de sistemas, na época, era a Kodak, uma empresa multinacional, e então eu não tinha aquela visão de viver do ministério. Era pastor, mas com a minha profissão, como outras pessoas viviam eu vivia, até teve um tempo que entendi que foi como um aperto de Deus e eu tinha que decidir: ou ministério ou vida profissional. E então Deus me fez entender que era uma chamada ministerial.

Eu deixei a minha profissão, até por convite do vice-presidente, da época, aqui do Belém, que os irmãos do Espírito Santo conhecem muito bem, que é o pastor Davino dos Reis. Ele era o vice-presidente da época, e conversou com o meu pai, e meu pai não quis me chamar: “Se o senhor acha que é, então, o senhor mesmo que o chame”. Então, foi o pastor Davino quem me chamou e me convidou para até desenvolver o sistema da igreja devido à experiência que eu tinha, foi quando começamos a área de informática na igreja. Foi quando eu realmente decidi pela vida ministerial. Mas, na congregação onde eu congregava, ali, sempre tinha uma oportunidade para dar uma palavra e tudo mais, e ali fui me desenvolvendo. Não foi na sede que me desenvolvi, foi na congregação e ali trabalhando foi que comecei a desenvolver o meu ministério.

Entrevista do Pr. Wellington Junior à Revista Seara News

Chamada ministerial é algo da percepção da vontade de Deus. O senhor disse que nunca teve interesse pelo ministério e de repente isso brotou. Como o senhor foi despertado para o ministério?

Na verdade, eu cooperava com o meu sogro que era dirigente da congregação. Ele é muito criterioso, formado em letras, e é o diretor da nossa faculdade. É bem criterioso em relação a pregações, é estudioso, tem livros, lançou um sobre o obreiro e seu ministério. Ele tem a parte formal, então, quando eu dava meus testemunhos lá, meu sogro me corrigia em algumas coisas. E chegou o momento em que eu me sentia bem em falar, tinha prazer em falar. Preparava um assunto e ficava na expectativa, se me chamassem, teria alguma coisa para falar. Era mensagem de 10 ou 15 minutos que eu falava na igreja, mas eu percebia que Deus me usava.

Mesmo trabalhando fora, eu tinha desejo de estar na igreja. Trabalhava no interior de São Paulo, percorria todos os dias 100 quilômetros, ia e voltava, e à noite estava na congregação para dirigir o culto. Então, eu comecei a sentir desejo de cooperar, de participar; não desejo do ministério em si, mas de participar. Então, comecei a perceber que realmente eu não tinha saída, porque entendo que quando Deus quer, Ele não abre mão, e eu tenho que pagar um preço se não obedecer a Deus. Tive dificuldades, a minha esposa não aceitava o ministério.

Como o senhor entendeu a sua chamada para o ministério?

Foi como um decreto. A minha esposa não aceitava muito porque sabia como é a vida de pastor, e dizia para mim: “Olha, eu não casei com um pastor, eu casei com um analista de sistemas”. No começo foi difícil ela aceitar, tive que fazer uma manobra. Saí da empresa! Pedi demissão, meu gerente não queria me dispensar, tanto é que pedi demissão em março e ele só me dispensou em agosto. Fiquei todos esses meses tentando convencê-lo de me liberar, e para que minha esposa não sentisse um impacto muito grande, abri uma microempresa na área e ainda por volta de um ano e pouco prestei serviços de assessoria na área de sistemas para a própria Kodak depois que saí, para o departamento de engenharia, e para outras empresas. Continuei no trabalho para dar uma satisfação à minha família que não saí de vez, mas teve uma hora que ela pôde entender.

Fale um pouco do senhor e a da sua família.

Sou pastor, casado com Lídia Dantas Costa que hoje aceita perfeitamente o ministério, e amadureceu muito nessa área. A preocupação dela era a seguinte: sabe como é pastor, tudo o que adquire os maldosos, dizem: “comprou com dinheiro da igreja”. A preocupação dela era se a gente comprasse um carro poderiam dizer que foi com o dinheiro da igreja. Mas ela pediu uma coisa para Deus, e Deus a atendeu – (Ela disse que Deus atende mais a ela do que a mim) – se caso a gente viesse para o ministério, que fosse com a vida estabilizada. Então, quando viemos, já tínhamos a vida mais estabilizada, ela tinha o carro dela, eu tinha o meu; já tínhamos a casa e até uma pequena chácara que temos até hoje. Assim, o que havia de bens para adquirir nós já tínhamos adquirido. Então, ela acabou aceitando. Eu digo a ela que ela é uma verdadeira esposa de pastor mesmo! Ela me ajuda muito na igreja. É envolvida com o trabalho do círculo de oração, e atua na área do aconselhamento familiar e terapia de casal. Hoje, até brinco com ela dizendo que ela é “rato de igreja”. Duas vezes por semana ela passa o dia todo na igreja, em Guarulhos. Ela acabou aceitando. Deus fez um trabalho e não tenho dúvida nenhuma. A minha esposa tem uma formação universitária que era o desejo que ela tinha na área de artes plásticas. Ela é formada em teologia e tem pós-graduação em duas faculdades na Batista e na Universidade Federal na área de aconselhamento familiar e terapia de casal. Temos três filhos. O primeiro chama-se José Wellington Bezerra da Costa Neto, em homenagem ao avô; é casado, juiz de direito, e a esposa dele é psicóloga. Minha filha é casada, médica especialista na área da pediatria e trabalha na Santa Casa de Misericórdia aqui de São Paulo; meu genro é administrador de empresas, e é um dos diretores da empresa que o pai dele possui. Meu filho menor tem 20 anos, está no 4º ano da faculdade de direito e aparentemente está seguindo os passos do irmão, ele gosta da área do direito, da magistratura. Enfim, esta é a minha família! Deus tem nos abençoado. A minha formação é na área de administração de empresas, direito até o 3º ano, e a faculdade de teologia.

Entrevista do Pr. Wellington Junior à Revista Seara News

Como foi a sua ascensão à presidência do Conselho Administrativo da CPAD?

Sempre fui muito distante de convenção, não participava porque trabalhava fora, e mesmo como ministro não ia, em função disto. Quando comecei a me envolver, meu nome foi indicado pela nossa convenção estadual (Confradesp) para concorrer a uma vaga no Conselho da Casa (CPAD), já tinha passado pelo Conselho de Educação e Cultura, pelo Conselho de Doutrina e, então, fui eleito para o conselho da Casa. Como conselheiro, no primeiro mandato, sabe quando você chega num lugar assim e se pergunta “O que eu estou fazendo aqui?” Homens abalizados fazendo parte do conselho como Pr. Isaque Martins, Pr. Antônio Dionízio da Silva que foi presidente do Conselho na época, Pr. José Neco, Pr. Lourival, Pr. Nestor Mesquita, Pr. Virgilio, homens experientes, líderes em seus estados, suas regiões, e no meio daqueles irmãos me sentia um calouro. Comecei como se fosse aquele “o faz tudo” que serve o café, oferece o chocolate. Fui eleito secretário, que não participa muito dos debates, sempre preocupado com os detalhes. Trabalhei servindo e ao mesmo tempo, procurando aprender com aquelas pessoas. Não se aprende tudo, mas com um pouquinho de cada um você vai aprofundando o seu perfil. Aprendi muito com os pastores que passaram por ali. Pastor José Neco, Pr. Ubiratan Job, Pr. Nirton, de Santa Catarina, Pr. Douglas Scheffel, vários pastores bem-conceituados, pessoas que são referências; louvo a Deus pela vida desses pastores. Foi pegando um pouco da experiência de cada um, até que fui eleito vice-presidente do Conselho Administrativo da CPAD, e depois, o pastor Antônio Dionízio voltou para a Mesa Diretora da CGADB, e ele e os irmãos ali acharam que eu deveria concorrer à presidência do Conselho, e fui eleito por unanimidade porque não teve concorrência. Não aspirava a presidência, mas, quando cheguei vi que tinha muito a aprender. Sabe a gente não olhava muito, mas hoje a visão tem que ser um pouco diferente, queira ou não. Na época, eu comecei, cedo, não olhava muito para o futuro: “O que serei no futuro, qual a minha pretensão?” Eu olhava para o presente, dizia: “Hoje estou no Conselho da Casa, o pastor Dionízio é o presidente; meu pai é o presidente da Convenção Geral, vou trabalhar por eles, estou olhando para a vida deles”. Jamais pensava na presidência do Conselho da Casa, as coisas foram acontecendo paulatinamente e louvo a Deus que vai dando a medida necessária para cada momento. É assim que vejo! Deus dando aquilo que eu precisava para o momento. Quando cheguei à presidência do Conselho, já tinha segurança que teria condições de administrar, de cumprir o papel para o qual fui colocado. Não cheguei ali perdido: “O que vai acontecer?” – Não foi uma tentativa. Deus me colocou alí.

A oração que faço é sempre essa: “eu nunca quero ocupar o lugar que seja de outro, mas o lugar que é para mim. Se é para outro ser, que coloque o outro e me tire da situação de um jeito ou de outro”. Não gosto de disputas, discussões e debates. Faço a minha campanha no silêncio e dependo muito de Deus. Se for da vontade de Deus, é ele quem vai colocar; se não for ele aborta antes de decolar, eu já me conformo e vamos assim. Mas, quando a gente assume entendendo que foi Deus quem quis, então assume com segurança.

 Quando assumi a presidência do Conselho da Casa Publicadora, assumi com segurança, sabendo que Deus daria os subsídios necessários para poder administrar. É assim que tenho visto. As decisões que tomamos, são preparadas por Deus. Ele prepara o caminho, dá a solução e tem sido assim. Entendo que Deus me colocou no Conselho da Casa. Tivemos uma disputa sadia com o próprio pastor Dionízio. Nunca o ofendi, pelo contrário, aprendi muito com ele, e até brinquei dizendo que se fui eleito, é porque aprendi a fazer minha campanha com ele também. O tempo que o pastor Dionízio foi presidente do Conselho da Casa, foi um tempo de muitas conquistas, de muitas bênçãos em todas as áreas, e na verdade, herdei a presidência do Conselho num momento de paz. Os tocos, ele e eu juntos arrancamos, porque fui secretário e vice-presidente dele por muito tempo. Mas quando assumi a presidência foi um tempo de mais tranquilidade, de mais estabilidade para a Casa. A CPAD está bem mais estável, graças a Deus, porque temos procurado manter o ritmo que se exige. A Casa, o comércio e o momento exigem. Procuramos não dar passos muito longos para não perder o controle, mas também não estamos na omissão. Aquilo que é preciso decidir e fazer, decidimos e fazemos. A Casa está bem. Está crescendo média de 5 a 6 por cento ao ano. A CPAD investe nas igrejas, nas convenções, nas escolas bíblicas, na área da educação, na escola dominical.  Estou lá entendendo que fui colocado por Deus, conforme falei que Deus tem dado os subsídios para o momento.

Deixe uma palavra para a nossa equipe e para os leitores da Seara News.

Primeiramente agradeço pela oportunidade de poder falar um pouco de mim. Em segundo lugar, que a Seara News é uma revista conhecida e de credibilidade. E aos seus colaboradores, que continuem produzindo matérias que realmente despertem o interesse dos leitores. Conte conosco naquilo que pudermos ser úteis. A CPAD, a nossa igreja aqui em São Paulo, posso falar porque o nosso presidente, com certeza, apoia também. Nós dizemos aos leitores que têm um instrumento maravilhoso nas mãos. Além de ser bem-conceituado é uma revista séria e que trata das coisas de Deus com seriedade, e isso é muito importante porque o interesse não é buscar a fama para a revista, mas buscar o que é ideal para o povo evangélico; e, de igual modo para os não evangélicos que, com certeza, também são leitores da revista Seara News e a admiram.

Entrevista publicada na Revista Seara News, Edição de Março/2015, por Paulo Pontes.